Já faz algum tempo que eu tenho pensado sobre como eu venho passando por um profundo processo de realinhamento interno . Esse processo levou anos, quase uma década, para alcançar um importante ponto de confluência de vários aspectos internos: a compreensão e o significado da individualidade. E isso mudou tudo.
Esse processo está claramente documentado nas postagens do blog nos últimos anos. Foi uma caminhada que, se vista superficialmente, pode até parecer paradoxal. É muito fácil perceber como as postagens, e, portanto, meus pensamentos e emoções, sempre se voltaram muito para conexões afetivas, uma existência coletiva e o compartilhamento de emoções e memórias. Em uma primeira análise, nada disso parece alimentar uma noção de individualidade, mas, essencialmente, foi o que permitiu compreender o ponto central de existir como um indivíduo em um mundo compartilhado.
Eu não tenho a ambição de explicar racionalmente o que foi esse processo. Eu já dediquei muitos dos textos do blog a uma espécie de racionalização das emoções, por ser a forma que eu desenvolvi para alinhar e manter o balanço interno entre as incertezas da alma e as certezas da mente na minha vida. Mas isso não serve bem para o que estou sentindo aqui, não agora. E, por isso, eu sei que, para qualquer um lendo isso, este vai parecer um dos textos mais confusos que eu já redigi.
A questão é: qual o sentido do individual quando não há o coletivo? O contraste define. Entender a essência e o valor das conexões, no final do dia, nos convida a olhar para dentro, para o mais íntimo. E isso é assustador em um primeiro momento. Assustador porque somos feitos de tantas camadas, tanta nuance, tantos aspectos diferentes, memórias, sombras, experiências, pensamentos e emoções, todos entrelaçados de uma forma tão complexa que parece até algo inatural, uma quimera, o incompreensível. E tudo que não temos a capacidade de compreender causa medo.
Talvez a maioria das pessoas jamais ouse encarar a si mesma de forma sincera, seja por medo ou pela forma superficial que a vida moderna continuamente nos incentiva a olhar para nós mesmos. No entanto, o que eu finalmente entendi foi que tudo que eu vivi nos últimos anos me direcionou e preparou, lentamente, para entender uma das verdades mais importantes da vida: a da individualidade como centro existencial.
Não uma noção egoística da existência. Apenas uma noção puramente existencial, que existe a despeito de qualquer ação sobre ela, qualquer adjetivação. Mais do que pensar ou agir, é sobre o “ser”. Eu mentiria se dissesse que realmente sei sobre o que estou falando, porque, justamente, não é sobre saber, é sobre sentir!
O pouco que posso racionalizar sobre isso diz respeito às consequências de olhar para dentro e perceber como isso ressignifica tudo. Conexões não perdem o valor, de certa forma se tornam até mais valiosas, mas em um campo diferente da vida. Não como complementares, mas como paralelas. E surge a compreensão profunda, não apenas racional, de que você é o único responsável por si mesmo.
É como naquela canção do Emicida que diz: “você é o único representante do seu sonho na Terra, então levanta e anda”.
2025 deixou para trás muitas coisas importantes e certezas absolutas. Muitas delas com dor e pesar. Eu costumava achar que minha natureza caótica e emocionalmente intensa era um problema e que demandava supressão. Não foi à toa que uma necessidade tão grande de certezas e controle surgiu na minha forma de lidar com a vida. Mas, no final das contas, faz muito mais sentido encontrar a beleza em si mesmo do que negar a si mesmo.
Tem tanta coisa que eu poderia tentar expressar aqui agora. Mas acho que não faz mais sentido. E assim vamos, com menos certezas e mais caos. De certa forma, é até divertido.
Daily post
It’s important to say that connections haven’t become unimportant to me. I just realized they can’t define the core of my existence. It’s interesting to think that not only reflecting on the meaningfulness of connections led me to understand this, but also that a specific connection showed me the beauty of deeply looking at yourself and fully feeling your “being.”
This reminds me of the song “Intro: Persona” by RM from BTS. I came across it recently and realized its rhythm works really well for rollerblading and lab work, so I’ve been listening to it a lot. What struck me even more, though, is that the lyrics revolve around the concept of persona and the lifelong search for the self:
"나는 누구인가 평생 물어온 질문
Who am I? The question I had my whole life
아마 평생 정답은 찾지 못할 그 질문
The question which I probably won’t find an answer to my whole life
How you feel? 지금 기분이 어때?
How you feel? How're you feeling right now?
사실 난 너무 좋아, 근데 조금 불편해
Actually, I'm real good but a little uncomfortable"
Post-scriptum
As últimas semanas têm sido calmas. Eu estou mais calmo. E assim a vida segue em um ritmo mais tranquilo, ainda que tantas coisas estejam se reassentando e mudando. Eu passei o período de recesso sozinho no lab e isso foi bom também. Foi bom pra aprender que solicitude é mais do que o nome de uma cidade em Skyrim. (:
Eu entendi de forma muito profunda que, essencialmente, eu estou sozinho em Nova York. E não digo isso de forma triste ou solitária, mas de fato com solitude. Eu tenho a mim mesmo e isso é o suficiente, ainda que não seja fácil, mas a vida nunca é fácil.
Eu tenho aproveitado mais as pequenas coisas do dia. Desde uma parada no trabalho pra apreciar comigo mesmo um latte, ou sentir o sol na pele em meio a dias tão frios de inverno, escutar e “sentir” uma canção, cozinhar algo gostoso, assistir algo que fiquei postergando por anos ou mesmo escrever esse texto.
E é engraçado perceber como isso tudo também me fez ressignificar a importância e o papel das conexões afetivas. Agora, escrever ou conversar com alguém parece até ter mais significado. Fica muito nítido como algumas pessoas se conectam por uma vontade genuína ou de forma quase automática, condicional ou funcional. Os limites emocionais dos outros também se tornaram mais nítidos quando eu passei a olhar de forma mais sincera para os meus próprios. Estabelecer uma conexão, hoje, é mais sobre encontrar outro inteiro do que precisar ou se moldar ao outro.
Eu acho que a estrutura do daily-post e post-scriptum ficou toda invertida dessa vez, mas quem se importa, né? haha. Pra seguir a tradição de incluir fotos na publicação, vou deixar uma foto que conversa muito com tudo o que está escrito aqui, mas de uma forma muito simbólica: minha nova camiseta do clube de taiko da Columbia University. Fazia tempo que eu não vestia vermelho (minha cor favorita quando eu era adolescente). Gostei da ilustração na parte de trás, representando o leão da Columbia!
OBS. É tão difícil escrever em português com um teclado configurado só para inglês T.T
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